Capítulo 22 · Saúde
Plano Negou Sua Cirurgia? Isso Pode Ser Abuso
Seu Antônio, 68 anos, precisava de uma cirurgia com urgência recomendada pelo médico. Na véspera do procedimento, recebeu a notícia: o plano de saúde negou a cobertura, alegando que o procedimento 'não estava previsto' no contrato. Essa cena se repete todos os dias no Brasil — pessoas com exames, cirurgias e medicamentos negados por operadoras de planos de saúde, muitas vezes em momentos de extrema fragilidade.
A Lei 9.656/98, que regula os planos de saúde, e as normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelecem que a operadora não pode negar cobertura de procedimentos que constem no Rol da ANS ou que sejam considerados essenciais pelo médico responsável, especialmente em casos de urgência e emergência. Além disso, o Código de Defesa do Consumidor protege o paciente contra cláusulas abusivas e informações confusas nos contratos. A jurisprudência dos tribunais brasileiros, inclusive do STJ, já reconheceu diversas vezes que a decisão sobre a necessidade de um tratamento cabe ao médico, não à operadora.
Existem prazos máximos definidos pela ANS para autorização de procedimentos: em casos de urgência e emergência, a resposta deve ser imediata; para consultas e exames simples, o prazo costuma ser de poucos dias úteis; para cirurgias e procedimentos de alta complexidade, o prazo é um pouco maior, mas ainda assim limitado. Recusas genéricas, sem justificativa técnica por escrito, podem configurar prática abusiva.
Diante de uma negativa, o primeiro passo é pedir a recusa por escrito, com a justificativa detalhada da operadora — isso é um direito do consumidor. O segundo passo é reunir os documentos médicos: pedido do médico, relatórios, exames e histórico da doença. O terceiro passo é registrar uma reclamação formal na ANS, pelo site ou aplicativo Disque ANS, o que muitas vezes já resolve o caso rapidamente, pois a operadora é notificada e tem prazo para responder.
Se mesmo assim a negativa persistir, ou se o caso envolver risco à saúde, é possível buscar medidas judiciais, inclusive de urgência, para garantir o tratamento. Guardar prints, protocolos de atendimento, e-mails e gravações de ligações é fundamental para construir prova do que ocorreu.
Cada situação tem particularidades — tipo de plano, doença, urgência do caso — que podem mudar a análise jurídica. Por isso, o mais importante é buscar orientação de um profissional de confiança assim que a negativa acontecer, para entender os caminhos possíveis no seu caso específico.
- ▸A decisão sobre necessidade do tratamento é do médico, não da operadora
- ▸Urgência e emergência exigem resposta imediata do plano
- ▸Peça sempre a negativa por escrito e com justificativa
- ▸Reclamação na ANS pode acelerar a solução do problema
- ▸Guarde documentos, protocolos e comunicações como prova
- ▸Busque orientação profissional para avaliar seu caso
A história
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